José Costa é o responsável da agência de "management" Banzé, que trabalha com Boite Zuleika, Fat Freddy, O Projecto É Grave e Dealema. Natural de Santo Tirso, onde é proprietário há 13 anos do bar "Carpe Diem", o baterista dos extintos Ecos da Cave tem ainda tempo para estar ligado à programação musical da Casa das Artes de Paredes de Coura, do Fantasporto 2004, das colectaneas da Optimus, do Natalapalooza e do Carnavalapalooza, e só lamenta que as autarquias não arrisquem nos novos projectos nacionais.

Aplicado, divertido, por vezes aéreo, de fisionomia similar à do treinador de futebol Jaime Pacheco, José Augusto Costa começou no mundo dos sons em 1987, nos Ecos da Cave, um grupo tirsense extinto em 1995 que lançou "As Papoilas do Campo Estéril" (El Tatu, 1991) e foi cabeça de cartaz do 1º Festival Paredes de Coura, em 1993. A experiência acumulada, os contactos adquiridos e a paixão em lançar os valores emergentes levaram-no a organizar em Santo Tirso, com apoio da edilidade, o primeiro (e único) Festival de Verão, em 1994, que contou com Cães Vadios, Mão Morta, Tarântula ou Tédio Boys.

"Se Tivéssemos continuado o evento e a câmara fosse sensível, o impacte que o [Festival] Paredes de Coura tem hoje seria aqui", desabafa José Costa, lembrando que, em Vila das Aves, o contemporâneo Festival Alcalina também findou à terceira edição, após reunir nomes como Balla e Bizarra Locomotiva. "Há câmaras com vereadores da Cultura com parco conhecimento da sua pasta. Outras, tem os orçamentos predefenidos. Outras, não sabem distribuir os fundos. E há ainda outras que revelam muita apatia, não querem fazer nada ou dar-se sequer ao trabalho. E isso é revoltante, é um erro, porque a cultura é fundamental e é para todos", sustenta o "manager", destacando exemplos a seguir como Beja ou Sines.

Em 1997, Costa fundou em nome próprio a Banzé, passando a gerir carreiras de bandas, escolhendo estúdios de gravação, palcos para tocar e promovendo a edição discográfica. Por ele, cruzaram-se os Naifas, que actuaram na Expo '98, o electrónico industrial dos Haus en Factor - a maior derrota do agente, que conseguiu distribuição do álbum homónimo pela Zona Música, colocou-os em festas académicas e foi depois despedido -, os Stealing Orchestra e os Outbreak. Mais tarde, a NorteSul convidou-o a agenciar os Dealema ou os X-Wife. Escolheu os primeiros. " É um privilégio 'tê-los', não via um movimento de fãs assim nos concertos desde o início dos Zen. É como cantar 'A Casinha' antes de os Xutos entrarem em palco", explica, com vaidade. Quanto aos restantes projectos, os matosinhenses Fat Freddy, "descobertos" em 1999, foram a "sua" primeira banda a dar lucro, e só no ano passado. Quanto aos gaienses Boite Zuleika e aos portuenses O Projecto É Grave, devem estrear-se nas edições este ano. E como se põe um colectivo num grande festival? "Ao contrário do que se diz, não há cunhas. Tem que se insistir junto dos promotores, dar-lhes certezas dos grupos que apresento, que já 'comeram' muita estrada, têm pernas para andar", cimenta José Costa, que vai dividindo a actividade da Banzé com a gerência do "Carpe Diem", um raro espaço tirsense de divulgação dos novos sons, que em breve entra em obras de remodelação acústica e espacial, e que, no segundo semestre, dará o título a compilação de "singles" de projectos portugueses.

(artigo elaborado por Nuno Passos, publicado no Público)